sábado, 28 de março de 2009

A formação das rochas sedimentares

As rochas sedimentares ocupam grandes áreas da superfície terrestre.
Os processos que dão origem às rochas sedimentares constituem duas fases fundamentais:
● Sedimentogénese - Envolve os acontecimentos desde a elaboração dos materiais que vão constituir as rochas sedimentares até à sua deposição.

● Diagénese- Envolve os acontecimentos (evolução) a partir do momento em que os detritos sofreram a sedimentação até à formação de rochas consolidadas.
As rochas sedimentares são principalmente formadas por materiais de rochas preexistentes.

Sedimentogénese
As rochas sedimentares são formadas por determinado tipo de sedimentos:



Meteorização e erosão

A meteorização consiste na alteração física ou química das rochas devido à acção de agentes externos (água, variação da temperatura, acção dos seres vivos, etc.), sendo alteradas características iniciais ou as dimensões das rochas.

Meteorização física
A meteorização física leva à fragmentação das rochas em pedaços cada vez mais pequenos, mantendo as características do material original.

Esta fragmentação aumenta a superfície das rochas exposta aos agentes de meteorização.

Os agentes externos podem ser:
● A congelação da água nas diaclases das rochas (crioclastia) - Devido à presença de uma menor temperatura, a água que se encontra nos poros e diaclases da rocha congela, aumentando de volume e, consequentemente, provocando uma pressão que provoca o aumento das diaclases;

● A actividade biológica - As plantas possuem as suas raízes nas fendas das rochas, pelo que as vão abrindo cada vez mais;

● Descompressão, expansão e fractura da rocha quando aflora à superfície - As rochas formadas em profundidade expandem-se à superfície, pelo que a mesma rocha se encontra sobre pressões diferentes, originando diaclases;
● A acção mecânica da água e do vento - A água desloca consigo os sedimentos de menores dimensões, deixando os sedimentos de maiores dimensões. Também o vento pode provocar a colisão de detritos com as rochas, acelerando o desgaste;

● Dilatações e contracções térmicas (termoclastia) - As variações de temperatura provocam dilatações e contracções alternadas nos diferentes minerais que constituem as rochas.

Meteorização química
A meteorização química resulta de reacções químicas entre os minerais das rochas e agentes externos, como a água e o vento, cuja interacção resulta numa rocha com características diferentes das iniciais.






Transporte e sedimentação




Em grande parte dos casos, os materiais formados na meteorização são transportados. Durante o transporte, os materiais sólidos experimentam sucessivas alterações.
As alterações sofridas pelos materiais transportados são:
● Arredondamento;


● Granosselecção (diferentes tamanhos).


A sedimentação pode ocorrer em ambientes terrestres e aquáticos. A deposição costuma dar-se segundo camadas sobrepostas, horizontais e paralelas.
As camadas formadas denominam-se estratos, que diferem uns dos outros devido à composição, à cor ou pelos grãos.
As superfícies de estratificação separam os estratos uns dos outros. A superfície superior designa-se tecto e a superfície inferior designa-se muro.

Diagénese

A diagénese é o conjunto dos processos de evolução sofridos pelos sedimentos, originando rochas consolidadas.

A diagénese compreende os seguintes processos:



Aqui se encontram representados todos os processos referidos anteriormente.

Minerais- A sua identificação

Para identificar um respectivo mineral, é necessário saber primeiro as características que um mineral possui.


● Os minerais são corpos sólidos, pelo que possuem uma estrutura mais ou menos definida.

● Os minerais são inorgânicos, ou seja, não são formados por produtos provenientes da intervenção dos seres vivos, pelo que têm de se formar naturalmente.

● Estes possuem uma composição definitiva ou variável (dentro de certos limites).

● Os minerais são naturais porque na formação dos mesmos não há intervenção humana.

Cada mineral possui um conjunto de características físicas e químicas próprias. A determinação das propriedades físicas de um mineral possibilita a sua identificação.
Propriedades Físicas

É possível distinguir os minerais mais comuns pela observação directa ou através de ensaios simples, através da determinação de propriedades como:
● Clivagem;
● Fractura;

● Cor;

● Dureza;

● Brilho;

● Traço ou risca;

● Densidade.

Clivagem
A clivagem é o observada quando se aplica uma pancada com um objecto mais "forte" do que aquele que está a partir, pelo que o mineral possui tendência para partir segundo superfícies planas. Isto acontece devido à estrutura cristalina do mineral, resultando do arranjo dos átomos e do facto das ligações químicas serem mais fracas numa direcção do que noutra.

Quando se descreve a clivagem de um mineral deve indicar-se o número de direcções de planos de clivagem, as relações angulares entre eles, a sua qualidade (perfeita, boa, regular, fraca) e a maior ou menor facilidade em obtê-los (fácil, difícil).


Fractura
A fractura é o observada quando se aplica uma pancada com um objecto mais "forte" do que aquele que está a partir, pelo que o mineral possui tendência para partir segundo superfícies irregulares.



A fractura não se costuma desenvolver segundo uma direcção prevista.

Relativamente à fractura obtida, dá-se várias designações, de acordo com o aspecto da superfície de fractura.

Os termos mais frequentes são:

● Fractura concoidal - Apresenta superfície lisa e curva, semelhante ao interior de uma concha;

● Fractura fibrosa ou estilhaçada - Apresenta estilhaços ou fibras semelhantes a uma lasca de madeira;

● Fractura irregular - Quando a superfície se apresenta rugosa e irregular.

Cor



A cor é uma característica dos minerais mais óbvia do que qualquer outra característica. Esta propriedade poderá resultar da composição dos minerais (elementos presentes na composição química), da ocorrência de defeitos na estrutura cristalina ou da presença de impurezas no mineral.

A cor de um mineral, apesar de facilmente observável, nem sempre é utilizada como meio de identificação, pois pode ser muito variável. Como prova disso, temos o quartzo.
Os minerais que não possuem uma cor característica e própria são designados Alocromáticos.

No entanto, certos minerais podem ser identificados através da cor que possuem, uma vez que não varia. Como prova disso, temos a pirite.

Os minerais que possuem uma cor característica e própria são designados Idiocromáticos.

Portanto, são aqui referenciadas duas situações. Uma das situações é que um mineral poderá não possuir uma cor característica, enquanto que outra situação é que um mineral poderá possuir uma cor característica.

Grande parte das vezes, os minerais não possuem uma cor característica porque ocorre uma mistura de pequenas quantidades de determinados elementos químicos ou então ocorreu uma variação na composição química inicial dos minerais, sendo certos elementos substituídos por outros.



Dureza



A dureza de um mineral é a resistência oferecida pela sua superfície quando riscada.

O grau de dureza é determinado pela dificuldade ou facilidade com que um material é riscado por outro. Para efectuar a comparação de minerais com maior dureza dos materiais com menor dureza, utiliza-se um conjunto de minerais que constituem a chamada Escala de Mohs.
Esta escala é composta por dez minerais, aos quais confere valores diferentes (de um a dez) dependentemente da dureza apresentada pelos mesmos.

Para a determinação do grau de dureza de um mineral através da escala de Mohs, utilizam-se a unha (risca minerais de dureza um a dois), a moeda de cobre (risca minerais de dureza um a três), o canivete (risca minerais de dureza um a cinco), a lima de aço (risca minerais de dureza um a seis) e minerais que riscam o vidro (riscam minerais dependentemente da própria dureza que possuem, podendo demonstrar um grau de dureza até dez dos minerais).







Brilho



O brilho é a aparência geral da superfície de um mineral quando observada a qualidade e intensidade de luz reflectida por esta.

O brilho apresentado pelos minerais poderá ser:


● Metálico - Brilho que se assemelha ao dos metais, sendo característico de minerais opacos como a galena, a calcopirite e a pirite.

● Submetálico - Brilho que faz lembrar o dos metais, mas não tão intenso, sendo característico dos minerais quase opacos.

● Não metálico - Brilho apresentado por minerais translúcidos ou transparentes, como o quartzo, o feldspato e a mica.






Traço ou risca

O traço ou risca é a cor de um mineral quando este se encontra reduzido a pó.

O traço é facilmente determinado. Raspa-se o mineral numa placa de porcelana não polida, obtendo-se o traço. No entanto, este processo só pode ser aplicado a minerais com dureza inferior à placa de porcelana (menor do que 7 na escala de Mohs).

Esta propriedade usa-se com frequência na identificação de minerais, pois raramente varia dentro da mesma espécie mineral, mesmo que o mineral não possua uma cor característica.

Densidade

A densidade é a medição directa da densidade mássica, medida pela relação directa entre a massa e o volume do mineral.

● D= M/V

A densidade pode ser obtida de várias formas, utilizando a balança de Jolly para determinar o peso do mineral em diferentes situações (no ar e na água), utilizando uma proveta graduada para determinar o volume do mineral, etc.


Propriedades Químicas

Alguns testes químicos poderão ser utilizados para a identificação de minerais. No entanto, estes podem ser tão complexos, que envolvem custos demasiadamente elevados.

Os minerais são caracterizados de acordo com a sua composição.


(imagens e grande parte da informação retirada do site com o respectivo link: http://www.dct.uminho.pt/pnpg/trilhos/pitoes/paragem3/minerais.html)
(imagens retiradas do site cientic)

As rochas sedimentares

Uma grande percentagem da Terra encontra-se coberta por rochas sedimentares que revestem partes dos continentes e dos fundos oceânicos. No entanto, estas formam apenas uma película superficial sobre as rochas magmáticas e metamórficas, que constituem a maioria do volume rochoso crustal.


As rochas são a unidade básica da crosta e do manto, que possuem características próprias, podendo ser contituídas por um ou vários minerais associados.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Notícia- Deslizamento de terras faz desaparecer aldeia

Notícia publicada no dia 18 de Fevereiro de 2006
Jornal de notícias


Deslizamento de terras faz desaparecer aldeia


Cerca de 200 pessoas morreram e 1.500 estão dadas como desaparecidas, na sequência de um deslizamento de terras registado ontem, no centro das Filipinas.

Segundo Richard Gordon, responsável da Cruz Vermelha local, o deslizamento de terras ocorreu na ilha de Leyte e fez desaparecer literalmente uma aldeia.

O movimento de terras soterrou centenas de habitações e uma escola primária, que estava cheia de alunos, no momento do desastre.

"Parecia que a montanha tinha explodido e aquilo tudo veio por ali abaixo" , explicou um sobrevivente a uma rádio filipina.

Richard Gordon sublinhou que, por ainda não dispor de números concretos, o balanço de vítimas avançado pela Cruz Vermelha correspondia a uma estimativa.

O governador da província de Leyte, Rosette Lerias, disse recear que 500 casas da aldeia de Ginsahugan (arredores da cidade de St. Bernard) tenham ficado soterradas, na sequência das chuvas torrenciais que assolam a região há duas semanas .

Uma responsável local, Eva Tomol, disse que na aldeia de Ginsahugan (com cerca de 2.500 habitantes) apenas três casas tinham ficado de pé e que apenas tinham sido encontrados seis sobreviventes.

Zonas de vertente- Perigos naturais e antrópicos

De um modo geral, uma zona de vertente é uma zona que:

● É constituida essencialmente por materiais rochosos;

● Pode possuir vegetação;

● Apresenta um declive acentuado;

● Está sujeita à acção de processos de meteorização e erosão.

É importante saber o que envolve uma zona de vertente, pois quando se pretende implantar uma determinada obra de engenharia, sabe-se se aquele local é propício ou não.





Nas zonas de vertente, os materiais situados nas zonas superiores tendem a ser mobilizados para as zonas inferiores, podendo custar a vida de muitas pessoas e mesmo a ocorrência de danos nas construções. Por isso é tão importante o estudo do local.






O movimento dos materiais de zonas superiores para zonas inferiores poderá ocorrer sobre a forma de movimentos de materiais soltos ou sobre a forma de movimentos de massa.




Os movimentos em massa são deslocamentos de grandes volumes de materiais devido à acção da gravidade.



Os movimentos em massa ocorrem devido a alguns factores.



Como um factor natural que poderá estar envolvido nos movimentos em massa, nos acontecimentos bruscos, são as variações da temperatura, que levarão a uma diferença no teor de água no solo, podendo mesmo provocar um movimento em massa.

Também poderá ser considerado como um acontecimento brusco um incêndio, que faria com que a vegetação presente naquele local desaparecesse. A vegetação seria, neste caso, o que fixaria o solo, com as raízes. Ao ocorrer um incêndio, o solo já não se encontraria fixo, sendo mais sensível ao vento e à chuva, por exemplo, ocorrendo um movimento em massa.

Dependentemente da inclinação, a força da gravidade poderá dividir-se em dois, a normal (GN) e a tangencial (GT).

Quanto maior for a inclinação da zona de vertente maior a componente tangencial e menor a componente normal, o que faz com que a movimentação dos materiais seja mais fácil.

Como referido nos factores naturais envolvidos num movimento em massa, a quantidade de água nos solos é muito importante. A água presente nos solos forma uma espécie de película, que liga as partículas do solo umas às outras.

Quando a quantidade de água nos solos é bastante elevada, as partículas afastam-se muito umas das outras, o que faz com que estas se comportem como um líquido. Ocorre assim um movimento em massa.
São realizadas obras humanas em locais com elevada instabilidade geomorfológica.


Aqui se encontram exemplos de medidas de contenção e estabilização numa zona de vertente.




Além destas medidas, podem também realizar-se estas medidas:




Deixo aqui um vídeo amador que demonstra um movimento em massa.


Obras de intervenção na faixa litoral

Devido ao recuo da costa e, consequentemente, o avanço do mar, devido à erosão e à subida do nível médio das águas do mar, foram tomadas medidas para contrariar o verificado.

As obras de protecção construídas ao longo da costa são de três tipos:
● Transversais à linha de costa- Esporões

● Construções paralelas entre si, ligadas à linha de costa - Paredões

● Construções sem contacto com a linha de costa- Quebra-mares
Estas obras de protecção são construídas na medida de reduzir os efeitos do mar sobre a faixa litoral.

Os esporões retêm as areias a ocidente destes, mas a oriente a erosão é fortemente verificada. É assim necessária a construção de sucessivos esporões.
Os quebra-mares são estruturas costeiras que têm por finalidade principal proteger a costa ou um porto da acção das ondas do mar.

Os paredões são estruturas que seguram os solos e os protegem da acção das ondas e, portanto, da erosão.

Podem ser tomadas medidas mais naturais para a prevenção das praias.


A protecção conferida pelos paredões, esporões e quebra-mares é limitada no tempo e no espaçõ, uma vez que se verifica a acumulação de sedimentos transportados pelo mar num dos lados da estrutura e a sua erosão do lado oposto. Outras medidas como a recuperação de dunas e a alimentação artificial de praias permitem uma protecção mais eficiente e prolongada.