sexta-feira, 27 de março de 2009

Zonas costeiras- Ocupação antrópica da faixa litoral

Grande parte do nosso planeta é ocupado pelo mar, que entra em contacto com a costa dos diferentes continentes (faixa litoral). Ocorre a meteorização da costa por essa mesma razão.




Como resultado dessa meteorização, podem considerar-se:


● As formas de erosão;


● As formas de deposição.


As formas de erosão resultam do desgaste provocado pelo rebentamento das ondas nas rochas. A este desgaste dá-se o nome de abrasão marinha.

As arribas são formadas por este desgaste das rochas por parte do mar.





As arribas, pelo contínuo desgaste, acabam por cair, ficando os detritos acumulados nas zonas mais baixas, formando as chamadas plataformas de abrasão.





Com esta forma de erosão acontece continuamente, as rochas são um recurso não renovável.
Isso traz consequências devido à:



Devido à construção de estruturas junto das águas, ocorrem muitos desastres. Inúmeras estruturas são destruídas devido à subida do nível médio das águas do mar e às intervenções do Homem, que levam a recuos cada vez maiores da linha de costa.

As formas de deposição são o que é formado pela deposição dos materiais que a água já não possui capacidade de transportar.

As formas de deposição podem ser:

● Praias - zonas baixas onde ocorre a acumulação de sedimentos, de dimensões variadas, a grande maioria dos quais de origem fluvial.


● Restingas - Acumulação de materiais ligada à faixa litoral por uma das suas extremidades, tendo uma outra extremidade livre.


● Tômbolos - É uma forma do litoral que resulta da acumulação de materiais que unem a praia a uma ilha.

● Ilhas-barreira - Acumulação de materiais, de forma paralela à costa e dela separada por uma laguna.

● Etc.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Impacto das barragens no ambiente

Em cada parte de um rio ocorrem os três tipos de acção geológica: Erosão, transporte e sedimentação.
Em Portugal, foram implementadas as barragens. Estas trazem vantagens e desvantagens.




Como observado, as vantagens são bastantes mas as desvantagens são muito significativas.

Algo que não se encontra referido é o facto de, em certos casos, uma barragem pode não ser o suficiente para controlar uma cheia, o que poderá por em causa a vida de muitas pessoas e a manutenção de bens materiais.

O impacto provocado pelo Homem, nas suas diversas formas, provoca a situação em que a costa se encontra. As barragens são um exemplo disso, mas não só. Também a extracção de inertes, usados na indústria, não ajudam a melhorar a situação em que nos encontramos mas sim a piorá-la.


Bacias hidrográficas

As populações humanas habitam zonas ao longo das margens dos rios.


Isto acontece porque:
● Os rios são vias de comunicação entre diferentes comunidades;
● Os rios são fontes de água, utilizada para fins domésticos, agrícolas e industriais;
● Os rios são uma fonte de alimento;
● Nas margens dos rios existem, por vezes, solos férteis (devido à deposição de materiais transportados pelo rio).
Relativamente ao rio e ao local que as águas ocupam, podemos considerar o leito do rio, o leito de cheia e o leito de seca.
● O leito do rio, também designado leito ordinário ou aparente, é o espaço que é normalmente ocupado pelas águas e os materiais (detritos) transportados por esta.

● O leito de cheia, também designado leito de inundação, é o espaço ocupado pelas águas em tempo de cheias.


● O leito de seca, também designado leito de estiagem, é o espaço ocupado pelas águas em épocas de temperaturas mais elevadas, como por exemplo no verão.

Os rios são os constituíntes das bacias hidrográficas e das redes hidrográficas.
● Uma rede hidrográfica é o conjunto de todos os cursos de água ligados a um rio principal.

● Uma bacia hidrográfica é a área do território constituída por cursos de água que tomam um só sentido de drenagem, a da rede hidrográfica.

Os rios dependem das relações que tomam com as bacias hidrográficas, assim como da forma que possuem, dos materias que os rodeiam (tipo de rocha das margens), do relevo, dos materiais dos solos, das plantas circundantes e do grau de interferência humana.

Os rios ajudam no processo de meteorização, erosão, transporte e sedimentação das rochas(sedimentogénese) - A actividade geológica dos rios.

● A Meteorização é o conjunto de processos (físicos, químicos ou ambos) que levam à alteração das características iniciais das rochas.



● A Erosão é o conjunto de processos físicos que removem todos os materiais resultantes da meteorização.



● O transporte é o processo em que os detritos são levados para distâncias mais longínquas comparadamente com o local inicial em que se encontravam.
O transporte é mais produtivo quando se dão as cheias devido à quantidade superior de água, que provoca um aumento da velocidade tomada por esta.

Devido a esse aumento da velocidade das águas, os materiais que se encontram no fundo das Albufeiras (lugar a montante de uma barragem) são removidos e transportados.

O transporte de materiais nas épocas de cheias é muitas vezes mais eficiente do que em qualquer outra época do ano.

Os processos de transporte dos detritos são:

→ dissolução de materiais nas águas;

→ Suspensão (materiais finos e leves);

→ Rolamento;

→ Arrastamento;

→ Saltação.

● A sedimentação é o momento em que os detritos se depositam, quer no leito, margens ou foz. Isso acontece porque a velocidade das águas já não permite que seja continuado o transporte desses detritos, pelo que estes se depositam, formando os sedimentos.

Os materiais de maiores dimensões depositam-se normalmente a montante, enquanto que os materiais mais finos se depositam normalmente a jusante , podendo mesmo chegar ao mar.

A deposição de sedimentos na zona de cheia, que faz com que os solos se tornem mais férteis, forma os aluviões.

Notícia- O surpreendente domínio Arquea

Notícia publicada no dia 25 de Maio de 2000
Autoria: J. Howland
Jornal de notícias


O surpreendente domínio Arquea

Todos podem distinguir entre a maioria dos seres vivos e não vivos. Para Aristóteles era simples, existiam três reinos: o mineral, o animal e o vegetal facilmente reconhecíveis.

"Os seres vivos possuem várias características fundamentais que os distinguem dos seres não vivos. A sua organização é altamente complexa e específica para um determinado organismo. Eles metabolizam; o metabolismo é a totalidade das reacções químicas essenciais para a vida. Eles transformam energia de uma forma para outra e mantêm um equilíbrio dinâmico entre eles próprios, as suas necessidades, e o modo como se abastassem ou eliminam o que lhes é inútil. Os organismos são irritáveis, respondendo a estímulos externos e internos. Possuem a potencialidade de reprodução. Eles actuam reciprocamente sobre o ambiente de modos específicos. Eles alteram-se e adaptam-se aos ambientes em alteração. Eles morreram. Embora todas essas características sejam comuns a todos os seres vivos, os biólogos sempre reconheceram que poderiam agrupar as diferentes espécies em agrupamentos hierárquicos. No século XVIII, o naturalista sueco Carl Linnaeus reconheceu dois grandes reinos; o animal e o vegetal, mas com o desenvolvimento da microscopia e das observações biológicas os reinos aumentaram para cinco: o Monera, que incluía as bactérias e as cianofíceas; o Protista que incluía todos os protozoários; o Fungi que abraçava todos os verdadeiros fungos; o Plantae (as plantas e variadas algas) e o Animalia, todos os animais multicelulares. Penso que todos os alunos de Biologia ainda hoje assim dividem o reino vivo, mas a descoberta dos Arquea veio mudar tudo. São tão diferentes de tudo o resto que os cientistas tiveram de criar uma nova categoria taxonómica para eles.

Os Arquea há muitio que eram estudados e assemelhavam-se a bactérias, mas quando os biólogos moleculares analizaram o seu ADN tornou-se claro eram tão diferentes das bactérias quanto estas o são dos primitivos protozoários. Isto levou a que o biólogo Carl Woese sugerisse uma nova categiria para a vida, o "domínio" que era colocado acima dos reinos.

Neste esquema , os cinco reinos foram incluídos em três domínios, a nova classificação dos seres vivos que incluía: Arquea, Bacteria e Eucarya (com as plantas, animais, protistas e fungos).

O domínio Arquea inclui os mais estranhos seres que é possível encontrar na Terra e possívelmente no Universo. Muitos gostam do calor e vivam na mais completa independência da luz solar, em fontes quentes submarinas e a grandes profundidades, nos poros e fracturas das rochas.

Alguns produzem metano (o gás venenoso dos pântanos) e vivem na completa ausência de do oxigénio. Estas características fazem deles os primeiros candidatos para as primitivas formas de vida e, pela sua adaptação aos diferentes ambientes, talvez sejam os seres mais representativos do Universo. São de tal forma estranhos e fascinantes que voltaremos aqui a falar deles com base num maravilhosos livro que conta a descoberta deste outro domínio da vida (Howland, J. "The Surprising Archaea" Oxford University Press, Oxford, 2000).

Os sistemas de classificação com seis reinos e três domínios

A origem dos três domínios- Carl Woese

Com base na comparação de sequências de RNA ribossómico em grande parte, Carl Woese e os seus colegas chegaram à conclusão de que os procariontes não eram um grupo só, do ponto de vista evolutivo.

Os procariontes são compostos por dois subgrupos, que diferem um do outro e dos seres eucariontes: As arquebactérias e as eubactérias.

Os seres vivos, que se encontravam divididos em dois grandes domínios - procariontes e eucariontes- foram substituídos por uma subdivisão em três domínios.

Os seres eucariontes foram colocados no domínio Eukarya, mas os seres procariontes foram colocados nos domínios Archaea e Bacteria, de acordo com outras características apresentadas pelos seres vivos além de serem procariontes.

As sequências genéticas presentes nos seres vivos dos diferentes domínios mostram que o domínio Archaea apresenta uma combinação genética semelhante aos domínios Eukarya e Bacteria, estando mais relacionado com o domínio Eukarya do que com o domínio Bacteria.


A classificação em seis reinos- Cavalier-Smith

Smith tentou seguir um sistema mais filogenético.

Para isso, este utilizou um número de grupos que pertenciam ao reino protista na maioria dos sistemas de classificação anteriores para um dos outros reinos, para que pudesse ter a noção das parecenças existentes entre esse reino e o grupo de seres vivos.

Os domínios então propostos foram:

● Domínio Bacteria;

● Domínio Archaea;

● Domínio Eukarya.





Os reinos então propostos foram:

● Reino Eubactéria;

● Reino Archaebactéria (reino monera);

● Reino protista;

● Reino fungi;

● Reino plantae;

● Reino animalia.
Relacionando os três domínios com os seis reinos existentes:

● Ao domínio Eukarya corresponde o reino Eubacteria;

● Ao domínio Archaea corresponde o reino Archaebacteria;

● Ao domínio Eukarya correspondem os reinos protista, fungi, plantae e Animalia.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O sistema de classificação de Robert Whittaker (cinco reinos)

Apesar da divisão dos seres vivos ter vindo a evoluir ao longo dos tempos, a divisão em quatro reinos parecia não ser ainda o suficiente. Vários biólogos não aceitavam este sistema, pelo que continuavam a utilizar o sistema de divisão dos seres vivos em dois reinos.

Devido aos conhecimentos adquiridos mais tarde, as opiniões relativamente aos reinos mudaram significativamente.


Em 1969, Robert Whittaker propôs uma classificação dos seres vivos em cinco reinos, no qual os fungos se encontravam colocados num novo reino: o Reino Fungi.





O sistema de Whittaker possui os mesmos reinos que a divisão dos seres vivos proposta por Copeland e um reino separado, onde se encontram os fungos, incluídos anteriormente por Copeland no reino protista.


Wittaker também tentou limitar o reino protista a seres vivos unicelulares, mas não a seres vivos multicelulares.

O nome dado ao reino protista começou por ser protoctista, tendo sido alterado por Whittaker para o actual (protista).


Portanto, os critérios em que se fundamenta a classificação em cinco reinos são:


● O tipo de célula dos seres vivos (níveis de organização celular- seres eucarióticos, procarióticos, unicelulares ou multicelulares);


● O tipo de consumidor (a forma como o ser vivo obtem o alimento);


● O tipo de alimentação dos seres vivos (interacções alimentares entre os seres vivos e os ecossistemas que habitam).





A classificação de Whittaker é uma classificação ecológica e não filogenética.

terça-feira, 24 de março de 2009

A divisão dos seres vivos por reinos (dois,três e quatro reinos)

Após a invenção do microscópio por Van Leeuwenhoek, tornou-se cada vez mais óbvio que a distinção dos diferentes seres vivos não poderia ser feita dividindo os diferentes seres vivos em animais ou plantas.

Em qualquer sistema de classificação os taxa hierarquicamente mais elevados incluem seres vivos de grande diversidade, sendo pouco naturais.

Por isso, a divisão em reinos variou bastante ao longo dos tempos.

A divisão dos seres vivos em dois reinos - Aristóteles e Lineu

Os seres vivos foram divididos em dois reinos, bastante distintos um do outro: o reino animal (animalia) e o reino das plantas (plantae).

Nesta classificação, o reino plantae e o reino animalia possuem uma grande diversidade de seres vivos.

No reino plantae, os organismos:

● São fixos (sem locomoção);

● Realizam a fotossíntese;

● Não efectuam a ingestão dos alimentos (seres autotróficos).

No reino animalia, os organismos:

● Possuem a capacidade de se movimentar (com locomoção);
● Não realizam a fotossíntese;

● Efectuam a ingestão dos alimentos (seres heterotróficos por ingestão).



Os seres vivos presentes no reino plantae e no reino animalia são seres unicelulares (protozoários) e seres multicelulares (metazoários).
Mais tarde, veio-se a descobrir que alguns dos seres vivos presentes no reino plantae possuiam células com paredes espessas constituídas por celulose e alguns dos seres vivos presentes no reino animalia possuiam células com determinados compostos no seu interior.

Esta divisão simples dos organismos parecia tão óbvia e bem definida para os organismos macroscópicos que o problema causado pelos fungos, que não pareciam encaixar bem nas plantas, era facilmente esquecido.

A divisão dos seres vivos em três reinos - Ernest Haeckel

Devido à existência de seres vivos com características diferentes entre si em cada grupo e mesmo a existência de seres vivos que apresentavam características de animal e de planta, mostrou-se óbvio que a divisão dos seres vivos não podia ser feita desta forma.

O que veio complicar ainda mais a situação foi a teoria de Darwin da evolução, aceite como representativa da realidade. Esta teoria considera que todos os seres vivos possuem um ancestral comum.

Um ancestral comum às plantas e aos animais não poderá ser nenhum ser vivo destes reinos, pelo que o ancestral comum a ambos os reinos teria de pertencer a um terceiro reino.

Haeckel realizou estudos microscópicos a todos os seres unicelulares (protozoários), tendo chegado à conclusão de que as primeiras formas de vida eram bastante simples e sem complexidade estrutural. Designou esses seres vivos primitivos moneres e dividiu-os em bactérias e cianobactérias.
Para colocar estes seres vivos na divisão de reinos já existente, Haeckel criou um terceiro reino, o reino protista

No reino protista, os organismos:

● São os mais primitivos e simples;

● Apresentam características que não são claramente de animais nem de plantas.


Os seres vivos presentes no reino protista são seres eucarióticos e maioritariamente seres unicelulares (protozoários)

O reino protista encontrava-se subdividido. A principal subdivisão era entre os grupos semelhantes às plantas – Protophytes – e os grupos semelhantes aos animais – Protozoa - reconhecidos pelos seus metabolismos diferentes.
A divisão dos seres vivos em quatro reinos- Copeland

Esta divisão dos seres vivos em quatro reinos, criada por Copeland, foi criada para ser natural, representando da forma mais próxima a organização dos seres vivos no mundo.
Para que fosse o mais próximo possível da realidade, esta divisão baseia-se:

• Em dados de estrutura celular;

• Constituíntes químicos;

• Características observáveis dos seres vivos.

Na sua classificação, o reino Protista de Haeckel é dividido em Mychota e Protoctista. O reino Mychota inclui todos os organismos procariontes e o reino Protoctista todos os eucariontes que não são animais ou plantas.



A distribuição pelos seres vivos nos reinos foi um pouco alterada.

O reino plantae inclui todos os seres vivos que:

• Possuem cloroplastos verdes;

• Um conjunto definido de pigmentos;

• Produzem sacarose, amido e celulose.

Sendo assim, seres vivos como as algas verdes são incluídas nas plantas (pois representam a origem evolutiva das plantas superiores), enquanto que seres vivos como as algas vermelhas, as algas castanhas, os fungos e todos os seres unicelulares existentes são incluídos no reino protista.

As bactérias, incluídas no reino protista, pareciam ainda não estar no reino mais apropriado. Possuíam características diferentes de todos os outros seres vivos existentes no reino protista. As bactérias são seres procarióticos, enquanto que todos os outros seres existentes no reino protista são seres eucarióticos.

Por isso, Copeland propõs a criação de um quarto reino, o reino monera, em que iriam ser colocadas as bactérias.

No reino Monera, os seres vivos:

• São de vida livre ou parasitas;

• São autotróficos (através da fotossíntese ou da quimiossíntese) ou heterotróficos por absorção;

• Possuem uma estrutura e organização celular bastante simples;

• Possuem a capacidade de se adaptar a todos os tipos de ambientes (terrestre, aquático ou aéreo).